Review Suicide Squad: Mate a Liga da Justiça | Apanhando por tabela


A indústria do entretenimento parece sempre operar em fases. Durante um período, histórias de terror adolescente são muito populares e, do nada, desaparecem para dar lugar a uma nova onda de produções. O mercado de games funciona do mesmo jeito, com alguns tipos de jogos ganhando mais destaque e investimento, mas logo deixando de ser populares pouco tempo depois.

Os chamados “looter shooters”, jogos em que você sai entrando em missões repetitivas para ganhar equipamentos aleatórios, tentando ficar mais forte para entrar em missões repetitivas mais complexas, tiveram um período de sucesso. Só que eles surgiram junto dos chamados “Games As A Service”, ou GAAS, que parecem incompletos e precisam que o jogador praticamente trabalhe neles ou invista dinheiro para se divertir.

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Esses jogos logo atraíram o desgosto dos jogadores, que ao menor anúncio de um título ser assim, já viram o nariz e perdem qualquer interesse nele. E é dentro desse cenário que temos o lançamento de Suicide Squad: Mate a Liga da Justiça, novo jogo da Rocksteady, mesmo estúdio responsável pela série Batman Arkham.

Nessa altura, você já deve ter lido diversas críticas do jogo, massacrando elementos como história, jogabilidade e, principalmente, modelo de negócio do game, mas será que ele merecia toda essa surra que vem levando?

O jogo do Esquadrão Suicida é… ok?

Antes de mais nada, é preciso falar que Suicide Squad: Mate a Liga da Justiça não é um jogo ruim. Ele também está longe de ser um jogo perfeito, tem problemas relacionados ao seu ritmo, alguns pontos de sua história e consegue ser repetitivo, mas ele também consegue ser engraçado, ter boas sacadas para sua história e funciona bem dentro do que se propõe.

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Talvez esse seja o seu maior problema. Quando o jogo foi anunciado, em agosto de 2020, muita gente já sabia da sua existência por conta de vazamentos que apontavam que o próximo jogo da Rocksteady não seria sobre o Batman ou o Superman, como muitos esperavam, mas sim, sobre a Força Tarefa X.

Pouco antes do seu anúncio, vazamentos apontavam que ele teria elementos multiplayer. Quando o primeiro trailer foi revelado, uma parcela do público achou interessante a ideia de ter a Liga da Justiça como os vilões do game, e todos colocaram suas esperanças no estúdio que tinha conseguido entregar uma das melhores versões do Batman fora dos quadrinhos.

Só que essa esperança sumiu para muitos quando o gameplay foi revelado e era um grande looter shooter com inimigos genéricos, poderes coloridos e falatório durante a ação. O game foi adiado no que parecia ser um jeito de a Rocksteady trabalhar mais para deixar o jogo do jeito que os jogadores queriam.

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Só que ao fazer isso, o estúdio perdeu. É óbvio que a indústria de games precisa gerar dinheiro, desenvolver um jogo desse tamanho custa muito e é necessário que os jogadores entrem naquela “roda do hype” para que o título gere lucro. Só que ao desviarem seus planos para tentar agradar todo mundo, eles entregaram um jogo ok, mas sem vida, que seria odiado de qualquer forma.

Ninguém queria um jogo sempre online, que você precisa entrar em missões repetitivas para conseguir novos equipamentos e ficar voltando como se fosse um trabalho para aproveitar novidades ou gastar mais dinheiro.

Todos esperavam uma aventura mais focada na história, como eram os games da série Arkham. A partir do momento que ela não era aquilo, não importa o que a Rocksteady fizesse, a pancada viria de qualquer forma.

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Existe um jogo divertido por baixo de tudo

Eu estava lá quando Destiny foi lançado e passei várias horas da minha vida atirando em inimigos idênticos, sempre nos mesmos lugares, na esperança que eles derrubassem os melhores engramas. Eu estava lá na sequência, e volta e meia eu volto para jogar quando alguma nova atualização é lançada.

Eu até mesmo me diverti jogando The Avengers, um jogo que poderia ter se beneficiado bem mais se fosse apenas uma aventura single player focada em sua campanha do que Suicide Squad. Então, quando comecei a jogar, já tinha uma noção do que me esperava.

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Como eu disse, Suicide Squad: Mate a Liga da Justiça não é um jogo perfeito. Ele traz o pior dos looter shooters que é “vamos complicar as características dos equipamentos para parecer que o nosso sistema é complexo”, quando na verdade só serve para encher a tela de números que não fazem tanta diferença.

O mapa é grandioso e cheio de easter eggs para os fãs da DC Comics, mas ao mesmo tempo, ele é genérico o suficiente para você não conseguir se familiarizar com nenhuma área.

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A história dele é bem divertida e a interação entre Arlequina, Tubarão Rei, Pistoleiro e Capitão Bumerangue, assim como a forma como todos os veem, é muito boa e do jeitinho que deveria ser. Porém, algumas escolhas podem sim desagradar aos fãs, principalmente pela forma como tudo é desenvolvido.

Mesmo com esses problemas, eu me diverti. Eu me vi com vontade de deixar os personagens mais fortes, aprender a jogar melhor e me tornar um absurdo controlando o Pistoleiro ou a Arlequina. Depois de ter feito tudo para poder escrever esse review, ainda ter vontade de retornar à Metropolis e ao caótico mundo de Mate a Liga da Justiça mostra que existe algo ali que vale a pena.

Apanhando pelos outros

Suicide Squad: Mate a Liga da Justiça chega aos consoles e PC em um momento em que ninguém mais aguenta esse estilo de jogos como um serviço, sempre em atualização em vez de um game “pronto”. Mesmo tendo suas qualidades, o jogo chega quando qualquer coisa era motivo para poder destruí-lo, e foi o que aconteceu.

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Porém, não acho que ele mereça tanto. Ele só é um tipo específico de jogo lançado no momento errado. Não sei se existe um jeito de salvá-lo ou se ele sequer precisa ser salvo. Chega a ser até poético que um jogo sobre um grupo de personagens completamente jogados na sarjeta e mesmo tentando, continuam sendo maltratados mesmo fazendo quase tudo do jeito que deveria ser, recebendo o mesmo tratamento.

Vendo por esse lado, acho que o jogo está exatamente onde deveria estar. Resta saber se um dia vão ver pelo que ele é, e não pelo que representa.

Suicide Squad: Mate a Liga da Justiça está disponível para PC, Xbox Series S/X e PS5.



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