Casos de dengue crescem 587% no Estado do Rio


Nas 3 primeiras semanas de janeiro, foram registrados 9.963 notificações de casos prováveis

O Boletim semanal do CIS (Centro de Inteligência em Saúde) sobre o panorama da dengue informa que o estado do Rio de Janeiro continua com forte tendência de alta da doença, apresentando números acima da média histórica. Na 3 primeiras semanas de janeiro, houve notificação de 9.963 casos prováveis da doença –alta de 587% em relação ao mesmo período de 2023.

No Estado, 8 das 9 regiões do Estado estão com números de vítimas acima da média, enquanto Resende, Itatiaia e Rio das Ostras aparecem com alta acima do esperado.

Nesta 6ª feira (26.jan.2024), o governador Cláudio Castro (PL) e a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, apresentaram o Plano Estadual de Combate à Dengue, que prevê ações diárias de enfrentamento à doença envolvendo uso de tecnologia, qualificação e apoio aos 92 municípios do estado.

O governo adquiriu equipamentos e insumos a serem distribuídos às cidades com maior incidência de casos para montagem de 80 salas de hidratação, que terão capacidade para atender, ao todo, até 8.000 pacientes por dia. O investimento é de R$ 3,7 milhões.

O Estado poderá também converter 160 leitos de 9 hospitais para tratamento da doença, como ocorreu durante a pandemia da covid.

Outra iniciativa envolve o treinamento de 2.000 médicos de emergência e profissionais de saúde dos 92 municípios, visando garantir o diagnóstico mais preciso e o tratamento correto, além de capacitação no atendimento às gestantes infectadas.

AÇÕES DIÁRIAS

O governador afirmou, também, que o Plano Estadual de Combate à Dengue não começou agora. “Realizamos ações diárias para reduzir o impacto da doença. No Brasil, nos primeiros 12 dias de 2024, foram notificados mais de 120 mil casos prováveis de dengue. Estamos atuando em apoio aos municípios, seguindo as diretrizes do Ministério da Saúde. O governo está preparado para receber e distribuir as vacinas e todo o suporte está sendo dado para a população”, afirmou.

A secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, informou que está sendo feito um monitoramento diário -em tempo real -da incidência de casos de dengue em todas as cidades do estado, por meio da CIS.

“Essa leitura de dados pelos técnicos da saúde é que permite ao governo direcionar as ações necessárias para conter o avanço [da doença] e garantir cuidado à população”, disse. Alertou, contudo, que é fundamental que as prefeituras atuem com o governo do estado nessa tarefa “e nos informem suas necessidades para que possamos agir rápido e apoiá-las com envio de equipamentos e insumos e promovendo treinamento de suas equipes”, afirmou Claudia.

CIRCULAÇÃO

No Rio de Janeiro, circulam os sorotipos 1 e 2 do vírus que causa a dengue. Foi identificado 1 caso do sorotipo 4, mas sem circulação. O tipo 3 já está em circulação em Minas Gerais e São Paulo, e não é registrado no Rio desde 2007.

A Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde está monitorando os sorotipos circulantes nas rodovias que fazem a integração com outros estados do Sudeste. As amostras dos mosquitos são enviadas ao Lacen (Laboratório Central Noel Nutels).

A Opas (Organização Panamericana de Saúde) realizou capacitação teórica e prática com equipe da SES-RJ (Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro), simulando resposta a uma possível epidemia. O treinamento incluiu apoio às prefeituras na elaboração de seus planos de contingência.

VACINA EM BREVE

Segundo o Ministério da Saúde, a vacina contra a dengue chegará à população a partir de fevereiro. Em um primeiro momento, serão contemplados os municípios de grande porte com alta transmissão do vírus nos últimos dez anos. O público-alvo é formado por crianças e jovens de 10 a 14 anos e o esquema vacinal é de duas doses, com intervalo de três meses.

Também na rede privada há aumento de vítimas da dengue. Os hospitais da Rede D’Or no estado do Rio de Janeiro registraram, em janeiro, aumento médio de 778% no número de pacientes diagnosticados com dengue, em comparação com o primeiro mês de 2023.

A maior alta proporcional foi anotada no pronto atendimento do Hospital Rios D’Or, em Jacarepaguá, Zona Oeste da capital carioca, onde o número de atendimentos a pacientes com a doença disparou 2.300% entre 1º e 20 de janeiro em comparação ao mesmo período do ano passado.

Já no Barra D’Or, o total de casos confirmados subiu 1.250%, enquanto no Hospital Bangu, ambos na Zona Oeste do Rio, houve crescimento de 1.050%. No Hospital Samer, em Resende, no sudoeste do Estado, houve alta de 1040%.

Também foram verificados aumentos do número de casos da doença em pacientes atendidos nos hospitais Norte D’Or (690%), em Cascadura, Zona Norte; Copa D’Or (500%), na Zona Sul; e Oeste D’Or (126%), em Campo Grande, Zona Oeste da capital.

As unidades Rio Barra, Perinatal, São Vicente, Jutta e Copa Star, que não tiveram nenhum caso de paciente com dengue entre 1º e 20 de janeiro de 2023, registraram agora ocorrências da doença no mesmo período de 2024, informou a Rede D’Or, por meio de sua assessoria de imprensa.

CRESCIMENTO PREOCUPA

O diretor nacional de Infectologia da Rede D’Or, David Uip, disse que o crescimento é expressivo nos hospitais da rede nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo e no Distrito Federal.

“É um indicador preocupante, especialmente se for registrada a circulação de sorotipo 3, como tem sido visto em algumas cidades, o que aumenta o número de pessoas suscetíveis à doença. Isso não ocorria há 15 anos. O risco de crescimento contínuo do número de casos nos próximos meses é real. As pessoas que já tiveram dengue no passado podem apresentar sintomas mais severos”, opinou.

Para o infectologista, é importante que a população esteja atenta aos principais sintomas da doença, como febre alta repentina, dor de cabeça, dores no corpo e articulações, prostração, fraqueza e dor atrás dos olhos. Nesses casos, é importante procurar assistência hospitalar especializada.

Uip ressaltou também a importância da adoção de medidas recomendadas por autoridades sanitárias, evitando recipientes com acúmulo de água parada nos domicílios para que o vetor da dengue, o mosquito Aedes aegypti, não encontre ambientes propícios para proliferação.


Com informações da Agência Brasil





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