Congressistas dos EUA vão a Taiwan apoiar governo e oposição


NELSON DE SÁ
TAIPÉ, TAIWAN (FOLHAPRESS)

Dois congressistas da bancada pró-Taiwan na Câmara dos Estados Unidos se reuniram nesta quinta (25) em Taipé com o presidente eleito Lai Ching-te, do Partido Democrático Progressista (PDP), e com os líderes do Kuomintang (KMT) e do Partido do Povo de Taiwan (PPT), de oposição.

Também encontraram a atual presidente, Tsai Ing-wen, do PDP. Elogiaram e reafirmaram seu apoio às eleições taiwanesas.

O democrata Ami Bera e o republicano Mario Díaz-Balart ouviram, tanto de Lai como de Tsai, cobranças para que seja derrubada a dupla tributação hoje existente no comércio entre Taiwan e EUA, o que permitiria a ampliação da cooperação econômica. O pedido vem no esteio da divulgação de uma queda de 16% nos contratos de exportação da ilha em dezembro, devido sobretudo à menor demanda americana e europeia, com reduções de 21,6% e 39,4%, respectivamente.

Díaz-Balart respondeu, nas duas ocasiões, que espera ter boas notícias sobre um acordo em torno da bitributação “em breve”.

Lai destacou ainda a posição estratégica de Taiwan, como parte da primeira cadeia de ilhas diante da China, “na linha de frente contra a expansão autoritária”, além de seu “papel indispensável na cadeia de suprimentos global”, em referência aos chips.

Disse que vai trabalhar pela estabilidade no estreito e que espera, de ambos e do Congresso americano, a manutenção do apoio ao fortalecimento da defesa taiwanesa.


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Em seguida, Bera falou que as palavras de Lai são uma garantia de paz, prosperidade e estabilidade na região, que é exatamente aquilo em que o Congresso acredita.

Antes da chegada a Taipé, ele havia dado entrevista ao jornal japonês Nikkei, adiantando que a viagem era para fortalecer as relações não só com Lai, mas com a oposição. “É um sistema parlamentar, então devemos falar com todos”, disse. O PDP venceu para presidente, mas perdeu a maioria no Legislativo.

Em seu encontro com os dois congressistas americanos, o presidente do KMT, Eric Chu, enfatizou que seu partido tem agora a maior bancada –embora também sem maioria– e buscará promover reformas. Disse que vai persistir na aproximação do partido com Washington e na manutenção da paz com a China.

O presidente do PPT, Ko Wen-je, comentou em sua reunião com os congressistas que Taiwan deve, na relação com Pequim, investir tanto em “dissuasão” como em “comunicação”. Voltou a defender, como na campanha, que os gastos com defesa sejam ampliados para 3% do PIB.


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Bera e Diaz comentaram com ele que o PPT se tornou uma minoria fundamental no Congresso e uma força a ser levada em conta na política taiwanesa.

Os dois maiores partidos vêm conversando com Ko para definir o comando da nova legislatura, que toma posse em fevereiro –enquanto o novo presidente só assume em maio. O KMT elegeu 52 parlamentares e deve ter o apoio de mais 2 independentes; o PDP, 51, e o PPT, 8.

Além do próprio Legislativo, as negociações podem levar a um governo de coalizão ou até de coabitação, com primeiro-ministro de partido diferente.

As tratativas não se limitam à distribuição de cargos. Entre as reformas que estão sendo discutidas estão a retomada de um acordo comercial com a China, apoiada pelos dois partidos de oposição durante a campanha, mas recusada por Lai.


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Também está em debate uma reforma política, prioridade do pequeno partido de Ko, mas que estaria enfrentando resistência tanto do PDP como do KMT.



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