ONU teme nova escalada de tensões no Oriente Médio


“Está claro que os bombardeios americanos são especificamente e deliberadamente destinados a atiçar o conflito”

Uma representante da ONU pediu nesta segunda-feira (5) “a todas as partes” que evitem uma nova escalada de tensões no Oriente Médio, durante uma reunião do Conselho de Segurança em que China e Rússia acusaram os Estados Unidos de alimentar as desavenças.

“Insto o Conselho de Segurança a continuar cooperando ativamente com todas as partes para evitar uma nova escalada e agravamento das tensões que minam a paz e a segurança regionais”, declarou Rosemary DiCarlo, secretária-geral adjunta da ONU para Assuntos Políticos, em uma reunião para analisar os bombardeios de retaliação dos Estados Unidos contra alvos pró-iranianos no Iraque e na Síria.

“Reitero o apelo do secretário-geral a todas as partes para se afastarem do precipício e considerarem os custos humanos e econômicos insustentáveis de um possível conflito regional”, insistiu, sem acusar ninguém em particular.

Vários Estados membros manifestaram preocupação e alguns acusaram diretamente os Estados Unidos, que defenderam os bombardeios na sexta-feira na Síria e no Iraque como resposta aos ataques a uma base americana na Jordânia, atribuídos por Washington a grupos apoiados pelo Irã.

“Está claro que os bombardeios americanos são especificamente e deliberadamente destinados a atiçar o conflito” para “preservar sua posição dominante no mundo”, disse o embaixador russo, Vassily Nebenzia, cujo país solicitou esta reunião urgente.

“Provavelmente, as ações americanas vão exacerbar o círculo vicioso da lei de talião no Oriente Médio”, disse o representante chinês, Jun Zhang, que acusou os americanos de violarem a integridade territorial da Síria e do Iraque, uma posição compartilhada pelo homólogo argelino, Amar Bendjama.

O embaixador adjunto dos EUA, Robert Wood, afirmou que as ações foram “necessárias e proporcionadas” no exercício do “direito à autodefesa”.


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“Os Estados Unidos não têm desejo algum de mais conflitos em uma região onde trabalhamos ativamente para conter e desativar o conflito em Gaza. Não buscamos um conflito direto com o Irã”, afirmou, pedindo ao Conselho de Segurança que pressione Teerã para cessar os ataques.

Os Estados Unidos bombardearam 85 alvos em quatro locais na Síria e três no Iraque, contra os Guardiães da Revolução Islâmica, o Exército ideológico do Irã, e grupos armados pró-iranianos, segundo Washington.

Além disso, prometeram mais ataques em resposta ao atentado de 28 de janeiro contra a base na Jordânia, perto das fronteiras síria e iraquiana, no qual três soldados americanos morreram.

Essas retaliações americanas, que deixaram pelo menos 45 mortos, foram vigorosamente denunciadas por Síria e Iraque, assim como pelo Irã, inimigo jurado dos Estados Unidos.


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O embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, qualificou as acusações americanas como “enganosas, infundadas e inaceitáveis”.

“Se o Irã for ameaçado, atacado ou agredido (…) não hesitará em exercer seu direito inerente de responder com firmeza, de acordo com o direito internacional e a Carta da ONU”, disse.

O Irã apoia grupos armados acusados por Washington de estar por trás de um recrudescimento dos ataques contra suas forças no Oriente Médio, em um contexto de guerra entre Israel e o movimento islamista palestino Hamas em Gaza.

© Agence France-Presse


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