Oposição critica Boulos por apagar post sobre aumento de renda


Deputado citou estudo que mostra crescimento na distribuição de renda no governo Bolsonaro, só que sem considerar a inflação

O pré-candidato à Prefeitura de São Paulo pelo Psol, deputado Guilherme Boulos, foi criticado por políticos de oposição na 6ª feira (19.jan.2024) por apagar um post que falava sobre o crescimento na renda da população mais pobre de 2017 a 2022. Na época, o Brasil foi comandado pelos ex-presidentes Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL).

Em publicação feita no X (ex-Twitter), na 4ª feira (17.jan), Boulos mencionou alta de 33% na distribuição de renda apresentada por uma nota técnica do economista Sérgio Gobetti e publicada pelo Observatório de Política Fiscal do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas).

Os resultados apresentados são nominais –sem considerar a inflação. Ajustado, o crescimento da distribuição se deu pouco acima do indicador. Ou seja, em termos reais, a discrepância entre pobres e ricos seria ainda maior.

A renda do 0,01% mais rico (apenas 15.000 pessoas) no Brasil disparou 96% entre 2017 e 2022. Já a renda da maioria (95%) da população subiu apenas 33%, afirmou o psolista.

Também pela rede social, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) perguntou por que Boulos apagou a publicação. “Apagou por qual motivo, Boulos? Porque sem perceber admitiu que a renda do mais pobre subiu 33% durante os 4 anos do governo do Presidente Bolsonaro?”, escreveu a deputada.

Leia outras manifestações nesse sentido:

  • Deputado federal e ex-ministro da Cidadania no governo Temer, Osmar Terra (MDB-RS):

Na 5ª feira (18.jan), Bolsonaro já havia se pronunciado sobre o tema. O ex-presidente agradeceu Boulos pelo que chamou de “sinceridade de expor que a distribuição de renda avançou” durante seu governo. Leia mais nesta reportagem.

Em seu perfil no X, o autor do estudo respondeu à publicação feita por Bolsonaro. Explicou que o “aumento real da renda dos mais ricos, em termos reais, foi até 25 vezes maior do que dos brasileiros mais pobres”, o que significa uma “piora da desigualdade”.

Eis abaixo a publicação de Gobetti:

ENTENDA OS DADOS

A renda dos muito ricos cresceu, nos últimos anos, a um ritmo que foi o triplo da média registrada por 95% dos brasileiros, segundo os dados que estão da nota técnica. Eis a íntegra (PDF – 273 kB).

Gobetti usou informações da Receita Federal e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para comparar a renda média em 2017 e 2022 em 4 estratos sociais: o 0,1% mais rico, o 1% mais rico, os 5% mais ricos e os 95% restantes da população adulta (com 18 anos ou mais de idade).

“O que se vê é que, além dos mais ricos terem, em média, maior crescimento de renda do que a base da pirâmide, a performance é tanto maior quanto maior é o nível de riqueza”, diz a nota.

Eis os resultados:

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reprodução/FGV Ibre

Tabela da evolução da renda dos mais ricos no Brasil

Os 95% da população adulta mais pobre tiveram um crescimento de renda médio de 33% no período de 5 anos. Entre as 15.000 pessoas que compõe o 0,01% mais rico, o crescimento foi de 96%.

A renda do 1% mais rico passou de 20,4% para 23,7% do total de 2017 a 2022. Entretanto, mais de ⅘ dessa concentração adicional de renda foi absorvida pelo 0,1% mais rico. Segundo os dados, 153 mil adultos viram sua renda média mensal ir de R$ 236 mil em 2017 para R$ 441 mil em 2022.

Para pertencer ao 0,1% mais rico, conforme a nota técnica, deve-se ter uma renda de pelo menos R$ 140 mil mensais. Já para pertencer ao 1% mais rico, a renda necessária é superior a R$ 30.000. Para pertencer aos 5% mais ricos, são necessários R$ 10.000 mensais.

Mais importante, porém, do que ajudar a definir quem é ou não rico (e em relação a quem), os resultados da análise com base nos dados do IRPF servem de alerta sobre o processo de reconcentração de renda no Brasil e sobre os vetores que mais contribuem para isso – os rendimentos isentos ou subtributados que se destacam como fonte de remuneração principal entre os super ricos”, diz o texto.

Eis a variação da renda média de 2017 a 2022:

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reprodução/FGV Ibre

Tabela com a variação da renda média de 2017 a 2022





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