Bolsonaro falou 5 palavrões em 37 segundos em reunião com ministros


Em um dos trechos, ex-presidente diz que iriam “esperar chegar” 2023 e 2024 “para se foder” e lamentariam não ter tomado “providências” sobre a vitória de Lula

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) falou 5 palavrões em um intervalo de 37 segundos durante a sua reunião com ministros realizada no Palácio do Alvorada em 5 de julho de 2022. A gravação do encontro embasou a operação da PF (Polícia Federal) Tempus Veritatis, que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado.

“Nós vamos esperar chegar 23, 24 para se foder e vai se perguntar ‘por que eu não tomei providência lá atrás’, e não é providência de força não, caralho. Não é dar tiro, ô, Paulo Sérgio [Nogueira, ministro da Defesa em 2022], colocar tropa na rua, tocar fogo, aê, metralhar, não é isso, porra”, continua depois de um trecho inaudível.

O vídeo tem diversos palavrões ditos por Bolsonaro. O ex-presidente disse “porra” ao menos 15 vezes em  pouco mais de 1 hora de reunião, por exemplo. “Puta que pariu” foi outra expressão usada pelo então chefe do Executivo Federal na reunião com ministros: foram ao menos 5 vezes.

Porra, pessoal, presta atenção, eu vi um general do [inaudível] chorando na minha frente. Puta que pariu, puta que o pariu, será que ninguém sabe o que aconteceu na Bolívia? Por questões políticas, o Evo Morales fugiu de lá [inaudível]. Ficou longe da Argentina, fazendo campanha, né? A turma dele voltou [inaudível]. Lá tinha uma escala para subir, igual aqui, se eu morrer, assume o Mourão, se o Mourão morrer assume o Lira, se o Lira morrer, assume lá o Pacheco e foi na escala”, disse Bolsonaro em outro trecho.

Assista (1min2s):

 

Depois, ele pede para que todos os presentes no encontro repitam as informações ditas por ele na reunião. “Daqui para frente quero que todo ministro fale o que vou falar aqui, e vou mostrar. Se o ministro não quiser falar, ele vai ter de falar para mim porque ele não quer falar”.

Segundo a PF, a reunião de Bolsonaro foi feita para cobrar ajuda de seus ministros e evitar uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022.

O sigilo do vídeo em questão foi suspenso na 6ª feira (9.fev.2024) pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). O material sustentou a operação da PF deflagrada na 5ª feira (8.fev.2024) contra Bolsonaro, integrantes de seu governo e aliados.

ENTENDA A OPERAÇÃO

A PF (Polícia Federal) deflagrou na 5ª (8.fev) a operação Tempus Veritatis (“Tempo da verdade”, em latim), que teve 33 alvos de busca e apreensão e 4 de prisão preventiva. A operação mirou aliados de Bolsonaro, como ex-ministros e ex-assessores ligados a seu governo.

Dentre as provas encontradas pelo inquérito, está –segundo a PF– um rascunho de decreto que teria sido modificado por Bolsonaro. O documento pedia novas eleições e determinava as prisões de Moraes, o ministro Gilmar Mendes e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

O ex-presidente teve de entregar o seu passaporte para a PF. Além dele, também foram alvos:

  • Valdemar Costa Neto, presidente do PL. Ele foi preso em flagrante por porte ilegal de arma pelos agentes;
  • general Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional);
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
  • Walter Braga Netto (PL), ex-ministro da Casa Civil e candidato a vice-presidente;
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa.

Veja imagens dos principais alvos:

Veja imagens das buscas em Brasília registradas pelo repórter fotográfico do Poder360 Sérgio Lima:


Leia mais sobre a reunião de 5 de julho de 2022:





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