Crítica Eco | Um possível novo caminho para o MCU


Eco é uma série que chegará ao streaming em uma época que o público começa a acreditar que algo precisa mudar nas adaptações da Marvel. Depois do seu maior fracasso nas bilheterias com As Marvels e problemas que vão além dos filmes e séries, como a crise com Jonathan Majors, o Universo Cinematográfico da Marvel se encontra em uma posição atípica.

Neste ano, teremos apenas um filme do Marvel Studios chegando aos cinemas e poucas séries estreando na Disney+. Como a primeira dessas séries, Eco foi adiada várias vezes e, por muito tempo, era vista como uma produção que parecia existir apenas para preencher tabela, as expectativas não eram das melhores. Só que, com a primeira temporada finalmente liberada — e de uma só vez, algo inédito para o estúdio —, podemos dizer que a adaptação pode mostrar por onde o estúdio pode seguir no futuro.

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Maya Lopez não é uma heroína

Eco começa exatamente do momento onde deixamos a personagem na série do Gavião Arqueiro. O primeiro episódio é cheio de flashbacks que mostram cenas da série de Clint Barton e a participação de Maya Lopez na sua trama, dando um tiro na cara de Wilson Fisk e sumindo. 

Se aquela cena mostrava que talvez Maya poderia seguir o caminho dos heróis, a nova série mostra que isso ainda pode demorar muito para acontecer — isso se de fato ela for por esse lado. Novamente interpretada por Alaqua Cox, Maya não é uma pessoa boazinha. 

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Apesar de vermos sua infância e como ela teve sua perna amputada, a ideia de sempre seguir os passos do pai mostravam que ela nunca deixou suas necessidades especiais servirem como desculpa para ela não fazer as coisas. No seu primeiro grande teste para trabalhar para o Rei do Crime, Maya mata pela primeira vez, o que desperta algo dentro da jovem. Só que, segundos depois, ela cai na porrada com o Demolidor.

A participação de Charlie Cox como o Homem Sem Medo nos primeiros episódios se resume a essa cena, mas é o suficiente para mostrar do que Maya Lopez é capaz, conseguindo se manter quase de igual contra o herói na hora do combate. Dali para frente, ela se desenvolve na pessoa fria vista em Gavião Arqueiro, sem medo de matar quem está no caminho dos seus planos.

Apesar de todas as prévias da série mostrarem que ela retorna à sua cidade natal em busca de suas raízes, logo no primeiro episódio ela revela que tem planos bem mais tortos do que o esperado, mostrando que essa jornada até se tornar uma heroína talvez seja mais longa que imaginamos.

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Uma pessoa que desconhece suas origens

Um elemento que foi bastante anunciado na produção de Eco é a influência do povo Choctaw na história e como isso estaria ligado aos seus poderes. Essa é uma mudança significativa na personagem, que nos quadrinhos não tem poderes especiais além de uma memória fotográfica e habilidade de luta. 

Nesses primeiros episódios, somos apresentados a uma linhagem de mulheres Choctaw que desenvolveram poderes por estarem relacionadas à primeira Choctaw, que aparentemente veio de outra dimensão. Apesar de ser algo que não é totalmente desenvolvido nos primeiros episódios, esse elemento parece um pouco deslocado dentro da história que a série quer contar. 

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Maya descobrir suas origens e como honrar suas antepassadas faria sentido, mas a inclusão de poderes especiais e uma origem mística de sua linhagem foge do tom mais pé no chão que a adaptação tenta passar. É uma trama que soa avulsa, principalmente levando em conta a promessa da Marvel de apostar em tramas mais urbanas e com os pés no chão. Os quadrinhos oferecem essa liberdade de criar explicações estapafúrdias de habilidades sem ter que apelar para esse tipo de solução preguiçosa — e a própria Maya Lopez é exemplo disso nas HQs.

Um novo caminho para o MCU

Eco marca o início do selo Marvel Spotlight, uma nomenclatura para histórias, inicialmente no streaming, que contam histórias fechadas, com um tom diferente e que não precisam ser tão interligadas com as grandes sagas vistas no cinema. Basicamente, você não precisa saber nada de multiverso e afins para assistir ao seriado.

Apesar de a série ainda ter ligação com outras produções, principalmente Gavião Arqueiro, a adaptação parece um sopro de vida ao MCU simplesmente por não estar tão conectado a ele. A história e seus personagens fazem parte desse grande universo, temos a participação do Demolidor, mas em momento algum, a trama aponta para algo além dela mesma.

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Um dos problemas do Universo Cinematográfico da Marvel depois de Vingadores: Ultimato é tornar tudo o que era lançado em algo interligado. Apesar de toda a Saga do Infinito conseguir fazer isso apenas com os filmes, ao incluir séries e animações na equação, as coisas começaram a se tornar um pouco confusas.

Ao condicionar o público de que tudo era interligado, logo, todas as histórias avançariam uma eventual saga, produções receberam um peso muito maior do que tinham e acabavam criticadas. Histórias não eram tão desenvolvidas porque se tornavam teasers para próximos filmes e séries.

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Esse é um problema que a Marvel ainda não resolveu completamente, mas Eco pode, sem ter sido planejada para isso, mostrar o caminho para o futuro. Apesar de ter uma trama fechada em Maya Lopez, existem comentários sobre elementos do mundo em que eles vivem. 

Em dado momento, o nome de Madripoor, cidade importante dentro do Universo Marvel, é citado, mas dentro de um contexto que não significa que isso vai levar a algum lugar. É só uma cidade que existe e as pessoas conhecem. Em seus três primeiros episódios, o seriado mostra, ainda que não de maneira perfeita, o potencial do Marvel Spotlight e de como é possível que, em breve, as melhores produções do estúdio façam parte dele.

Como ela própria, é uma adaptação interessante, com uma Maya Lopez que mostra um pouco mais de personalidade do que vimos anteriormente, mas que ainda tem espaço para crescer. A participação de Vincent D’Onofrio nesses episódios ainda é mínima, mas a aura de ameaça do Rei do Crime é constante..

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Todos os episódios de Eco já estão disponíveis na Disney+ e Star+.



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