Peixe híbrido nasce de pais conhecidos como fósseis vivos


Os híbridos nascem quando pais de diferentes espécies cruzam, gerando descendentes viáveis. Estes nascimentos ocasionalmente ocorrem na natureza e obrigatoriamente envolvem animais que compartilham um mesmo ancestral comum, próximo na linha temporal. De forma surpreendente, cientistas encontraram em um lago, nos EUA, um peixe híbrido de duas espécies, cujo último ancestral comum existiu há 100 milhões de anos, quando os dinossauros ainda caminhavam pela terra.  

O híbrido improvável é resultado do cruzamento do peixe-jacaré (Atractosteus spatula), também conhecido como gar-aligátor, com o gar-bicudo (Lepisosteus osseus). Ambas as espécies são consideradas “fósseis vivos”.

Animal híbrido de fósseis vivos

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O termo fóssil vivo foi criado, em 1859, pelo biólogo britânico Charles Darwin para descrever organismos que apresentam pouca diversidade e quase nenhuma diferença física em relação aos seus antepassados ​— isso pode ser descoberto a partir da análise de registros fósseis. 

No caso do grupo de peixes com mandíbula conhecidos como gars, da família Lepisosteidae, existem sete espécies. Todas compartilham características muito próximas dos fósseis de gars provenientes do período Jurássico, há cerca de 150 milhões de anos. As principais linhagens vivas do grupo surgiram há cerca de 100 milhões de anos, no período Cretáceo Médio.  

Com um ancestral comum tão distante, seria praticamente impossível o nascimento de um híbrido entre essas espécies. Isso valeria para quase todos os animais do planeta, mas os gars são uma exceção. 

O grupo tem a taxa de evolução (o que envolve o acúmulo de mutações genéticas) mais lenta entre todos os vertebrados com mandíbula, segundo estudo publicado na revista científica Evolution. Aí, está a resposta que explica esse cruzamento improvável.

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Híbridos de parentes muito distantes?

“Quanto mais lenta for a [taxa de] mutação do genoma de uma espécie, maior será a probabilidade dela ser capaz de cruzar com uma espécie separada da qual foi geneticamente isolada durante um longo período de tempo”, afirma Chase D. Brownstein, pesquisador da Universidade Yale e um dos autores do estudo, em nota.

É o que explica a viabilidade do cruzamento entre o peixe-jacaré e o gar-bicudo, com um ancestral comum de pelo menos 100 milhões de anos, gerando híbridos férteis. Segundo Brownstein, esta é a divisão parental mais antiga identificada entre todos os animais, plantas e fungos que produzem híbridos viáveis. 

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Até então, a divisão parental mais antiga conhecida pela ciência pertencia a duas espécies de samambaias que compartilharam o mesmo ancestral comum há cerca de 60 milhões de anos.

De forma oposta, se as taxas de mutação de uma espécie são altas, as espécies distintas precisam compartilhar de um ancestral comum mais jovem para se reproduzirem.

Conheça o peixe híbrido improvável

O mais recente caso de híbrido entre os gars foi descoberto pela pesquisadora Kati Wright, da Universidade Estadual de Nicholls. Ela integra um grupo de pesquisa sobre esses fósseis vivos, liderado por Solomon David, membro da Universidade de Minnesota e um dos autores do artigo que analisa geneticamente os gars. 

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Na imagem postada nas redes sociais, é possível comparar o peixe-jacaré verdadeiro com um híbrido (cruzamento entre o peixe-jacaré e o gar-bicudo):

Em comum, os dois peixes têm quase o mesmo tamanho, sendo o híbrido mais largo e pesado. Outra diferença é que o peixe híbrido tem a região da mandíbula e do “focinho” maior. Também há diferenças visíveis nas escamas, já que as do híbrido são menos desenhadas.

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Além deste caso, o pesquisador David já compartilhou outro caso de híbrido envolvendo a família dos gars. Neste caso, o animal é fruto do cruzamento entre o gar-pintado (Lepisosteus oculatus) com o peixe-jacaré. Com escamas que lembram a padronagem de pelos do leopardo, a criatura nasceu no Shedd Aquarium, em Chicago (EUA).

Fonte: Evolution e Universidade Yale    



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